Destaques do InterNoise 2017, por Débora Barretto

Destaques do InterNoise 2017

A Newsletter SOBRAC entrevista a arquiteta especialista em acústica e vice presidente da SOBRAC Débora Barretto, que nesta entrevista exclusiva aborda alguns dos principais destaques do InterNoise 2017, evento realizado em Hong Kong, na China. O 46º Congresso Internacional e Exposição sobre Engenharia de Controle de Ruído foi organizado pelo Instituto de Acústica de Hong Kong e pela Universidade Politécnica da metrópole, em conjunto com NVH Branch, Society of Automotive Engineering China e a Acoustical Society of China.

Debora_InterNoise

Newsletter SOBRACO InterNoise é um evento enorme, repleto de novidades para quem trabalha com acústica. Quais foram os principais destaques dessa edição?

Débora BarrettoDestacarei, claro, os itens dos quais eu participei das sessões técnicas e palestras, pois trata-se de um Congresso extremamente plural e que aborda todos os segmentos da acústica. Com certeza posso destacar o fato do congresso ter abordado temas que não são geralmente abordados em congressos desse porte, como Green Building, as questões relacionadas a envoltória das edificações levando em consideração os elementos arquitetônicos de fachada para auxiliar no isolamento, a importantíssima relação entre confortos térmico e acústico, além de aeroacústica computacional e aerodinâmica. 

NS – As questões relacionadas a acústica urbana foram abordadas durante o evento?

DB – Sim, foram muito abordadas e é importante destacar a importância da realização do evento em uma das maiores metrópoles do mundo, onde todas as questões sobre acústica ambiental e urbana podem ser observadas de forma latente. Os males da poluição sonora realmente afligem as populações em todo o mundo e os estudos no sentido de minimizar os impactos de forma consistente estão se aprofundando. Hoje o mercado já possui materiais e metodologias de trabalho que possibilitam uma atuação eficiente, que garantem não apenas qualidade sonora, mas principalmente qualidade de vida para quem mora nas cidades. Mas a questão das políticas públicas ainda é tratada de forma local e merecem mais atenção, pois grande parte do ruído urbano pode ser minimizado por meio de uma gestão mais eficiente e de um planejamento urbano q leve em consideração os impactos sonoros.

NS – Ainda abordando a questão da acústica urbana, você poderia contextualizar a escolha de Hong Kong como cidade sede?

DB – Hong Kong é uma cidade fantástica, super moderna e com todos os problemas presentes nos grandes centros urbanos do mundo. Andar pelas ruas da cidade me remeteu a um mundo bem adiante do nosso onde há algumas décadas eles passaram pelo que São Paulo está passando para tentar viabilizar o mapa acústico, pois são muitos os desafios que nós, no Brasil, enfrentamos no que diz respeito a qualidade e respeito aos limites de emissões sonoras. Lá os altos níveis de poluição sonora provenientes principalmente dos meios de transporte foram controlados devido ao grande investimento na qualidade do transporte público e no estimulo ao modo a pé, pois existem esteiras e escadas rolantes conectando importantes eixos urbanos. A grande verticalização da cidade proporcionou uma amplificação sonora onde existe uma grande concentração de pessoas, no entanto reduzir o ruído urbano sempre fez parte dos planos de ação dos governos e por isso Hong Kong possui um dos mais eficientes sistemas de transporte público do mundo.

Algo que me deixou espantada foi a alegria dos chineses. Diferente da minha expectativa, pois nunca tinha viajada ao Oriente, presenciei algumas apresentações culturais pelas ruas de Hong Kong tão animadas (e tão barulhentas) quanto as nossas tão tradicionais batucadas. Ou seja, a vibração do povo através do som por lá também é uma realidade. Foi encantador.

NS – Você representou a SOBRAC no InterNoise. Por lá haviam muitos brasileiros participando do evento?

DB – Éramos uma comissão pequena, mas ativa. O Edison Moraes e Davi Akkerman estava representando a ProAcústica e por lá também estavam Ivan e o prof. Samir. A presença de brasileiros em eventos internacionais de acústica está aumentando, mas ainda são poucos os assíduos. Acredito que esta troca é importante não apenas para o crescimento profissional, mas certamente para o desenvolvimento do mercado brasileiro, pois temos acesso a muitos estudos e discussões que não se limitam à nossa realidade e que nos abrem os olhos para outras possibilidades. O InterNoise é sempre uma experiência muito rica, com muita troca de conhecimento técnico e científico. O próximo já está definido a será em Chicago. Vamos?

NS – Qual estudo mais lhe chamou atenção?

DB – Me chamou muito a atenção o estudo do impacto dos tetos verdes na mitigação sonora, inclusive apresentando coeficientes de absorção sonora. Essa mesma pesquisa também estudou a influência de placas fotovotáicas na difusão sonora. Curioso e útil, pois corrobora com o fato de q a vegetação funciona como material absorvente, mas não isolante, como muitos pensam.

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