Impossível pensar arquitetura sem pensar acústica

CalafateJoão Calafate atua há mais de 30 anos no Rio de Janeiro, sempre imprimindo uma forma bem peculiar de conceber e ensinar a arquitetura. Sua trajetória sempre foi permeada por uma ampla ligação com o universo da acústica arquitetônica, pois desde a década de 80 trabalha projetando ou restaurando espaços de entretenimento, principalmente teatros e cinemas.

Ao ser questionado sobre a importância da acústica para a arquitetura ele é taxativo. “Fundamental. Não tem como pensar em espaços urbanos contemporâneos, sejam públicos os privados, sem a preocupação com o conforto acústico ou com o isolamento do ambiente. É simplesmente impossível fazer arquitetura hoje, inclusive residencial, sem abordar questões acústicas”, explica.

Sua preocupação com a qualidade é tanta que ele sempre introduz a consultoria acústica na fase inicial do projeto. “Tenho uma parceria com a Lygia Niemeyer e sempre sentamos juntos ainda na parte conceitual do trabalho. Isso é importante por diversos motivos, mas principalmente porque já nos dá uma ideia do que pode ser feito, em termos de estética, garantindo que toda a parte técnica alcançará padrões excelentes. Outro fator importantíssimo é já pensar nos recursos que serão empregados, pois a gestão do orçamento precisa ser considerada desde sempre”.

Com o crescimento da indústria acústica no Brasil, Calafate conseguiu dar ainda mais praticidade em algo que já se tornou uma tradição nos seus projetos: unir materiais acústicos e arquitetônicos de forma criativa e funcional. Ele defende que é preciso pensar em espaços que sejam “usáveis” de forma integral. “Como trabalho muito com teatros e cinemas, entendo que é preciso criar algo novo, mas que não interfira no objetivo principal do espaço, que é oferecer conforto aos espectadores. Então, em muitos casos, o desenvolver algo tecnicamente ótimo acaba sendo mais importante que elaborar soluções mirabolantes apenas para mostrar algo impactante visualmente. Usar materiais interessantes e colocar os materiais acústicos por baixo também tem sido um recurso interessante. Tenho usado muitas placas metálicas e mesmo as placas de madeira, com lãs por baixo, por exemplo”, esclarece.

Calafate é responsável por vários projetos de espaços culturais – alguns premiados, como o Cineclube da Estação Botafogo, e outros também emblemáticos, como o Imperator – Centro Cultural João Nogueira. Pragmático, o arquiteto e professor é franco ao afirmar que a acústica é um diferencial no mercado onde atua. “É importante estar atento ao que está sendo oferecido ao seu cliente, seja numa obra pública ou mesmo num projeto residencial. Se você consegue fazer mais com menos, se consegue com aquele orçamento limitado ampliar as possibilidades do projeto, você tem um diferencial. E evidenciar a relevância da acústica é sempre fixar qualidade ao seu próprio trabalho”, finaliza.

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João Calafate é Arquiteto Urbanista, Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio, Diretor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula, Sócio do escritório Fábrica Arquitetura.

Projetos de destaque: Teatro Poeira, Imperator, Centro Cultural João Nogueira, Teatro Laura Alvin, Cinemas do Grupo Estação Botafogo, Unibanco Arteplex, Cine Odeon.

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Teatro Laura Alvim | Foto: Elisa Mendes

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Detalhe do material acústico do Teatro Laura Alvim | Foto: Elisa Mendes

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